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28/10/2026
Redução da jornada de trabalho exige atenção das indústrias, alerta FIERGS

Reunião sindical destacou os riscos da EC 141/2026 para os custos, a produção e o emprego. Setor de máquinas e implementos agrícolas deve avaliar os impactos sobre suas operações e escalas de trabalho.

A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 exigem atenção das indústrias de máquinas e implementos agrícolas. Os impactos sobre os custos de produção, a organização das equipes e a capacidade de atendimento ao mercado foram alguns dos pontos discutidos na segunda-feira (26), durante a 3ª Reunião Sindical de 2026, promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), por meio da Unidade de Desenvolvimento Sindical (Unisind), em parceria com o Conselho de Relações do Trabalho (Contrab).

O encontro reuniu representantes de sindicatos industriais para esclarecer os efeitos da Emenda Constitucional (EC) 141/2026 e alertar para os riscos e as incertezas relacionados à sua aplicação. Para o setor de máquinas e implementos agrícolas, que depende de mão de obra qualificada e precisa conciliar produção, prazos de entrega e demandas sazonais do agronegócio, a mudança pode exigir uma revisão do planejamento operacional.

O diretor do Sistema FIERGS e coordenador do Contrab, Guilherme Scozziero, destacou que a alteração constitucional exige análise e preparação por parte das empresas. Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentada na reunião, a redução da jornada pode elevar entre 12% e 15% o custo da hora trabalhada na indústria brasileira.

“Ninguém arranca 10% da capacidade de produção de uma empresa impunemente. Isso vai ter uma repercussão em termos de empregabilidade, fechamento de empresas e aumento de preços. Não é alarmismo, é uma realidade que não podemos disfarçar”, afirmou Scozziero.

Planejamento e negociação coletiva

A reunião também abordou os prazos previstos na EC 141/2026 e a necessidade de as empresas avaliarem os efeitos da nova regra sobre suas atividades. Publicada em 16 de outubro, a emenda prevê a adoção de dois repousos semanais e a redução da jornada para 42 horas semanais após dois meses da publicação. A partir de 16 de dezembro de 2027, a jornada passa a ser de 40 horas semanais.

O assessor jurídico da FIERGS e conselheiro do Contrab, Thiago Guedes, recomendou que as empresas façam simulações de custos e analisem as mudanças de acordo com suas realidades, considerando a reorganização de horários, jornadas e escalas de trabalho.

Segundo ele, embora o prazo para adaptação seja curto, é possível planejar medidas para enfrentar a nova realidade. A negociação coletiva também foi apontada como um caminho para reduzir riscos e buscar soluções adequadas às particularidades de cada atividade econômica.

Participaram do painel, além de Scozziero e Guedes, a conselheira do Contrab e assessora jurídica da Unisind, Gisele Garcez.

Para as indústrias de máquinas e implementos agrícolas, acompanhar as definições sobre a aplicação da emenda e antecipar os impactos sobre os custos e a operação será fundamental para organizar a produção, preservar empregos e manter a capacidade de atender às necessidades do agronegócio.