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Renegociação das dívidas é decisiva para o sucesso do Plano Safra, afirma SIMERS
Entidade avalia que a redução dos juros fortalece o crédito rural, mas alerta que produtores endividados precisam recuperar a capacidade de investir para que os recursos anunciados cheguem efetivamente ao campo
O anúncio dos Planos Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial e para a agricultura familiar representa um avanço para o financiamento da produção agropecuária brasileira, especialmente pela redução das taxas de juros das principais linhas de investimento. No entanto, para que os recursos disponibilizados pelo Governo Federal cumpram seu papel de impulsionar a produção e a modernização do campo, será necessário resolver um desafio imediato: a situação dos produtores rurais endividados. Essa é a avaliação do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (SIMERS), que defende a homologação da renegociação das dívidas rurais nos próximos 30 dias para garantir o acesso efetivo ao crédito.
Lançado nesta terça-feira (30), no Palácio do Planalto, em Brasília, o Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial prevê R$ 525,1 bilhões para médios e grandes produtores, um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior. Do total, R$ 140,2 bilhões serão destinados às linhas de investimento voltadas à modernização das propriedades, armazenagem, irrigação, inovação tecnológica e renovação de máquinas e equipamentos.
As condições de financiamento também foram aprimoradas. No Pronamp, os juros caíram para 9% ao ano. Já o crédito de custeio empresarial será ofertado com taxa de 12,5% ao ano. Programas voltados à inovação, irrigação, cooperativismo, agricultura de baixo carbono e renovação de máquinas terão taxas entre 8% e 12,5%. No Moderfrota, principal linha de financiamento para aquisição de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas, a taxa foi reduzida de 13,5% para 12,5%. O Moderfrota Pronamp e o Inovagro também tiveram redução, passando de 12,5% para 11,5%.
O Plano Safra da Agricultura Familiar também trouxe medidas consideradas positivas pelo setor. O Governo Federal anunciou R$ 97,3 bilhões para crédito rural, seguro agrícola, compras públicas e assistência técnica, sendo R$ 85,2 bilhões destinados ao Pronaf, um crescimento de quase 9% em relação à safra anterior. Para a indústria de máquinas, destacam-se a redução dos juros de 2,5% para 1,5% ao ano na aquisição de máquinas e equipamentos pela agricultura familiar, além da ampliação do limite de financiamento de R$ 100 mil para R$ 120 mil. Para tratores e implementos agrícolas de até R$ 250 mil, foi mantida a taxa de 5% ao ano, preservando o incentivo à mecanização das pequenas propriedades.
Para o presidente do SIMERS, Claudio Bier, a redução dos juros representa um avanço importante para a modernização do campo, mas o Plano Safra somente alcançará seus objetivos se os produtores tiverem condições reais de acessar o crédito.
"A redução dos juros do Moderfrota atende a uma demanda histórica do setor e fortalece o principal programa de financiamento para a renovação de máquinas e equipamentos agrícolas. Mas, para que o Plano Safra cumpra seu papel, crédito e renegociação das dívidas precisam caminhar juntos. Hoje, milhares de produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, seguem impedidos de investir porque ainda aguardam uma solução para seu endividamento. Esperamos que essa renegociação seja homologada nos próximos 30 dias para que os recursos anunciados cheguem efetivamente ao campo."
Claudio Bier, presidente do SIMERS.
Embora o setor reconheça o esforço do Governo Federal em reduzir o custo do crédito, a avaliação inicial é de que os recursos destinados às linhas de investimento, especialmente ao Moderfrota, ainda podem ficar abaixo da demanda do mercado. O programa é considerado estratégico para acelerar a renovação da frota de máquinas agrícolas e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.
"A redução dos juros nas linhas de financiamento é uma sinalização positiva tanto para a agricultura empresarial quanto para a agricultura familiar, porque amplia o acesso à tecnologia e incentiva a modernização do campo. No entanto, será fundamental que os recursos destinados ao Moderfrota sejam compatíveis com a demanda do setor. Renovar máquinas significa aumentar a produtividade, reduzir custos, melhorar a eficiência e fortalecer toda a cadeia do agronegócio. Da mesma forma, ampliar o acesso da agricultura familiar à mecanização representa um passo importante para impulsionar o desenvolvimento regional e tornar as pequenas propriedades cada vez mais competitivas."
Carolina Rossato, vice-presidente do SIMERS.
Os impactos dessas políticas vão além das propriedades rurais. A indústria de máquinas e implementos agrícolas é uma das principais parceiras do desenvolvimento do agronegócio brasileiro, responsável por levar tecnologia, inovação e ganhos de produtividade ao campo. O Rio Grande do Sul concentra cerca de 65% da capacidade produtiva nacional de máquinas e implementos agrícolas, consolidando-se como o principal polo fabricante do país. O segmento gera aproximadamente 35 mil empregos diretos e 150 mil indiretos, movimentando uma ampla cadeia industrial de fornecedores, serviços e inovação.
Na avaliação do SIMERS, fortalecer programas como o Moderfrota e ampliar os incentivos à mecanização da agricultura familiar significa investir diretamente na competitividade do agronegócio e da indústria nacional. No entanto, esse esforço precisa ser acompanhado por uma solução definitiva para o endividamento dos produtores rurais. Afinal, um setor responsável por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro depende de políticas públicas que garantam não apenas crédito disponível, mas também condições reais para que produtores de todos os portes possam acessar os financiamentos e transformá-los em novos investimentos, geração de empregos, inovação e desenvolvimento econômico.